Claro que era uma brincadeira, a pistola não era de plástico? ...
Estarei com os olhos ofuscados com tantas luzes de natal, ou será que a crise chegou às varandas e janelas dos tugas?
Adoraria escrever sobre o regresso dos pais natal às varandas, sobre os magros , os gordos, os negros ou mesmo os pais natal chineses. Mas não! Tiraram-me esse prazer mesquinho. Estará o average tuga mais sobrio? Menos parolo? Onde estão os pais natal??
Em vez de falar mal vou optar pela via da nostalgia.
Era uma vez um país, onde senhor e madame que prezasse a quadra natalícia, comprava um puto de um Pai Natal na loja do chinês para pendurar na sua varanda, janela, ou afim. Bons tempos em que os viamos de todas as raças e feitios, alguns até mortos de fome, outros sem prendinhas às costas.
Depois veio a crise! Bum! Crise! Bum! Foram todos para a casa de penhores. Que nostalgia de ser jovem adulto e vê-los a trepar estaticamente as fachadas dos prédios da urbe... (suspiro)...
Graças a deus, vivo num mundo moderno, onde o kitsch não demora muito a formar-se. Prevejo daqui a uns 2 anos, ter um dito cujo puto de Pai Natal na minha bela varanda, e ser o maior frik "in" do meu bairro.
Vai ser vê-los a trepar, estatica e estilosamente.
Dou por mim muitas vezes a discutir com as pessoas a importância absurda que o factor "imagem" assume em inumeros aspectos nomeadamente na política.
É muito curioso porque discutindo isto com qualquer pessoa ficamos com a impressão que que a imagem só é importante por causa de "outros". Os "outros" é que valorizam isso e por isso, infelizmente, se algum politico pretender ter sucesso terá também de entrar no jogo ou nao tera hipótese nehuma.
Esta é uma opinião tipo tao comum que eu perguntaria genuinamente a mim proprio quem seriam afinal esses "outros" se nao fosse pelo chamado teste Marques Mendes (invenção minha) . O teste Marques Mendes consiste simplesmente em perguntar às pessas que opinião têm de Marques Mendes e tirar ilações.
É infalível. Na esmagadora maioria dos casos obtenho reacções negativas devidamente justificadas: "pouca presença", "falta de carisma", "nao tem ar de primeiro-ministro", etc, tudo neste campo (só mesmo baixo é que niguem diz claro). É RARISSIMO alguem me dar uma opiniao negativa baseada em ideias com as quais nao concorda ou em competencias especificas que acha que nao tem.
E é aí percebemos algo chocados que, de facto, a imagem TEM uma influência estúpida nas pessoas, da qual individualmente nem têm noção, e percebmos também que o grande azar de Marques Mendes (e quem sabe de Manuela Ferreira Leite) nao foi o de ter nascido baixo ou gordo ou assim-assim. Foi o de ter nascido em Portugal e de ser português.
Uma característica que normalmente acompanha o fanatismo democrático é a condenação da "blasfémia". O facto da cruz suástica ser um símbolo proibido pela lei portuguesa é disso exemplo. Esta noite, a notícia de abertura dos telejornal da RTP apresentou um outro exemplo.
Manuela Ferreira Leite disse hoje num discurso, em tom irónico, que "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
Este excerto, em termos de conteúdo, foi provavelmente a coisa menos relevante que disse no discurso, mas isso não interessa nada, as palavras chave estão lá e obviamente, fez a delícia dos jornais, e arrepiou os adoradores mais religiosos da democracia.
A reacção mais habitual a estas declarações corresponde à linha seguida pelo deputado do PS Alberto Martins, classificando as declarações de Manuela Ferreira Leite de anti-democráticas e inaceitáveis. Acrescenta ainda que "Não há ironia quando se apela a uma ideia de interrupção da democracia. A democracia custou muito a construir aos portugueses, é uma ética e uma técnica, uma forma de Governo e um conjunto de valores - e um dos valores essenciais é o da liberdade".
A mensagem é clara : com a democracia não se brinca. Ou numa versão mais bíblica: Não invocarás o nome da democracia em vão.
Em cada sociedade, o fanatismo mais nocivo é aquele que está protegido pelo establishment, contamina um maior número de pessoas e perdura durante mais tempo.
Em Portugal, o regime democrático é inquestionável por qualquer órgão de comunicação mainstream ou por qualquer figura pública, e ainda existem memórias bem vivas da anterior ditadura. Está então criado um ambiente propício à proliferação do fanatismo democrático.
O que eu entendo por fanatismo democrático é a exigência da extensão dos direitos democráticos a todas as instituições ou relações de autoridade, o que significa que quem está numa posição hierarquicamente superior tem que agir de acordo com o interesse de todos os que estejam na posição inferior e tomá-los como iguais.
A actual filosofia da organização da escola pública é o melhor exemplo de fanatismo democrático em Portugal. Não passa pela cabeça de ninguém que uma escola pública possa ter uma política própria de contratação de professores, escolha de programas curriculares ou de remuneração/avaliação dos professores. Tudo isto tem que ser decidido pelo governo eleito, e de forma igual para todas as escolas e professores.
Os professores pertencem a uma das poucas (ou única) classes profissionais que é contratada e avaliada de uma forma democrática e igual para todos, com o acréscimo de que o sistema de avaliação está concebido de forma a que quase todos sejam considerados igualmente "bons".
Qualquer tentativa por parte de um governo para introduzir uma maior diferenciação entre escolas ou entre professores é violentamente por eles rejeitada, o que leva à anulação da reforma.
As eleições americanas que estão neste momento a decorrer são decisivas para o modo como o resto do mundo vê os Estados Unidos.
A maior parte do mundo é neste momento culturalmente anti-americana, não necessariamente por odiar os americanos, mas por considerá-los sem grande margem para dúvidas os principais responsáveis de todos os grandes males do planeta: destruição do ambiente, crise económica, pobreza no mundo, conflitos externos, e tudo o que mais possa acontecer.
Apesar do envolvimento na guerra do Iraque e a crise financeira serem factos que pesam muito no modo os E.U.A. são vistos, eu penso que não são as decisões e os resultados políticos que com maior relevância influenciam a reputação americana. O que realmente pesa no subconsciente das pessoas é a cultura e a imagem associada às figuras de maior responsabilidade no país.
Neste momento os E.U.A. estão irremediavelmente associados à imagem que é feita de Bush: conservadorismo, ignorância e provincianismo. E todas estas características perdurarão através de Sarah Palin, se McCain for eleito, às quais se podem acrescentar a velhice e a má disposição.
E é precisamente por isto que a possível eleição de Barack Obama muda radicalmente esta situação. O mundo inteiro uniu-se em torno de Obama, não pelas suas ideias políticas, mas por toda a imagem que ele representa. Todas as características de Obama ajudam: a boa aparência, a juventude, os discursos imponentes, a simpatia, a raça, a proveniência de um meio humilde.
Se Obama for eleito, todo o interior provinciano, a ignorância geográfica e o egoísmo serão prontamente esquecidos e substituídos pela modernidade, tolerância e competência. Os Americanos continuarão os mesmos, mas o marketing é muito melhor.
A redistribuição, na perspectiva do socialismo, está associada à transferência de riqueza dos mais ricos para os mais pobres, com o objectivo de aumentar a igualdade social. Como é óbvio, quanto maior for a redistribuição exigida, maior será a necessidade de aumento do peso do estado na sociedade.
Esta redistribuição e o consequente estatismo, até um certo grau, é facilmente aceite por grande parte da sociedade, todo o sentimento de justiça e solidariedade a que está associada é extremamente atractivo e razoavelmente consensual.
Apesar do estatismo ter sido construído como um meio para aumentar a igualdade, vem perdendo progressivamente esta inocência. Neste momento, o estatismo em Portugal está longe de estar associado à contribição para a igualdade, meteu o socialismo na gaveta e subsituiu-o pelo elitismo. A grande maioria dos militantes mais influentes do PS e do PSD acredita envergonhadamente que a riqueza está em muito melhores mãos nas grandes empresas e nas elites do estado do que em gente pobre ou banal, que a vai desperdiçar.
Assim, o conceito de redistribuição vai também mudando. A percentagem de riqueza que é atribuida aos pobres vai sendo lentamente reduzida, para que se possa oferecer cada vez mais aos mais ricos e influentes, de uma forma bem embrulhada em investimento público e subsídio às grandes empresas.
Os bancos em geral conseguiram obter uma excelente posição de chantagem com os estados através do argumento "too big to fail". A falência de apenas um banco pode levar à pobreza de milhões de pessoas, e por isso podem contar com a máxima disponibilidade de qualquer estado para garantir que isso não aconteça.
Numa altura de crise como esta, os estados esquecem rapidamente os princípios de justiça equitativa e de mérito, numa tentativa de minimizar os danos a curto prazo, e entrega verdadeiros cheques em branco aos bancos. E mesmo as nacionalizações não são muito mais do que comprar prejuízos, com grande agrado dos accionistas, que de outro modo teriam maiores perdas.
Os bancos têm ainda outra grande vantagem, as soluções de salvação postas em prática costumam também tentar garantir que esta posição de chantagem se mantenha ou aumente, através do incentivo à manutenção de um nível artificialmente elevado de endividamento.
Em Portugal existe uma grande razão para que o Governo veja com bons olhos o incentivo ao endividamento, e outra para que os eleitores a aceitem.
Por um lado o Governo tem todo o interesse em controlar vagamente o ciclo económico, assim o incentivo ao endividamento funciona como uma inflacção virtual do crescimento económico, especialmente útil antes de eleições.
Por outro lado, grande parte das pequenas e médias empresas encontra-se numa posição muito frágil. O estado consegue ter a prepotência de cobrar impostos de lucros que ainda não foram obtidos, e de atrasar interminavelmente os seus pagamentos de uma forma que se pode classificar de vigarista. Nestas situações, muitas empresas só conseguem sobreviver endividando-se permanentemente.
Obviamente que o incentivo ao endividamento provoca efeitos colaterais, como o de levar pessoas a contraír empréstimos que em situação normal não o poderiam fazer, e consequentemente aumentar o risco de crédito malparado. Mas isso que interessa aos bancos? Para qualquer disparate que façam, o risco é dos contribuintes, não dos accionistas.
Alguém viu?
Está em crescimento desde há vários anos um método de publicidade que me faz perder a paciência muito rapidamente, o tele-marketing.
Os vendedores têm o triste hábito de inverter a sua máxima quando falam ao telefone, aqui o cliente nunca tem razão. O cliente é burro e não sabe escolher o melhor produto até prova em contrário. A arrogância que se faz sentir após a troca de apenas duas frases dá vontade de estrangular quem está do outro lado do telefone. E quando se lhes desliga o telefone na cara eles voltam a telefonar mais tarde.
Estão a estragar completamente a função do telefone fixo (por enquanto é apenas este), como se fosse uma conta de e-mail sem filtro de spam.
O crescimento do tele-marketing deverá querer dizer que este método funciona. Infelizmente, vale a pena para as empresas contratarem um chato que faça as pessoas perder tempo a deslocar-se até ao telefone a pensar que é alguém que quer dizer alguma coisa de útil.
Isto para mim é perfeitamente incopreensível, já que estes telefonemas, em mim só têm o efeito de aumentar a minha raiva pela empresa em questão. Posso garantir aliás que não depositarei um único cêntimo no Citibank enquanto não me esquecer que se lembraram de pagar a alguém para me perturbar regularmente enquanto eu estou em casa.
Faço o apelo à PT ou a outras operadoras de comunicações: para quando um filtro de spam para o telefone? A possibilidade de criar manualmente uma lista de números impedidos de nos ligar já seria benvinda.
A minha opinião sobre o casamento gay é a seguinte. Vou ser conciso para não despertar descambamentos exacerbados na contra argumentação.
Situação: Gays não podem casar. Casais de heterossexuais podem. Heterossexuais casam em regime de bigamia em Portugal.
Minha proposta: Casem os gays em regime de bigamia também.
Situação: Gays não podem adoptar meninos. Heterossexuais podem.
Minha proposta: Paciência. Não se toque nisso agora, é outra guerra.
Situação: Em Portugal não se casa em regime de poligamia (tanto quanto sei).
Minha proposta: Paciência também.
Resumindo, os gays deveriam poder casar perante o Estado, que nada tem que ver com quem celebra o contrato. 2 Pessoas juntam-se, fazem vida juntos, têm direito às regalias sociais e económicas que os heterossexuais têm. Mas não adoptam meninos.
Que tal?
B.D.
PS - Por gays e homossexuais entendam-se homens e mulheres.
Não consigo não concordar com este senhor.
Estou completamente chocado. Appalled mesmo. Não é que estava eu a estudar legislação portuguesa, mais concretamente o código da contratação pública, quando a meio do frete de incongruências, de vazios, e de mau senso legislativo aplicado à actividade da construção, me deparo com algo ainda mais provocador do "síndrome do cair do queixo"?
Decidi fazer uma pausa no estudo. Pauso, ligo a Tv. Zapping. Sic mulher. Tyra Banks show. Uma preta bem branca, com umas ancas dignas de uma mulher com M grande e um peito de um homem se perder lá no meio, apresentando o seu programa. Não conhecia, mas fiquei a conhecer.
A mulher fala e um maralhal de galinhas cacarejantes berra, esbraceja, ri, sorri apoteoticamente perante o exorcismo que Tyra faz a uma gajazita que outrora fora anoréctica e agora recuperara o peso. Anoréxicas a recuperar peso, eu aplaudo e incentivo. O meu choque resume-se ao facto de por momentos ter hesitado se estaria a ver o canal da IURD ou um programa americano, estilo Oprah jovem.
Tyra acompanha a gajazita ao exterior do estúdio para queimar umas calças antigas da menina, e para materializar o ritual da queima, usa palavras proféticas e dignas de um exorcismo moderno à la IURD. Tyra repele o demónio da magreza que outrora assombrara aquela gajita e a pequena repete as palavras da mestra. E guess what, com 2 bombeiros pelados em tronco nu a fazer segurança à fogueira. No estúdio, o maralhal grita em transe pelo exorcismo daquele demónio. Um real circo erótico e de plástico.
O choque continua, pobre de mim. Não é que de repente aquele mulherão, Tyra, apresenta o movimento "So what!? Belly qualquer coisa", que se resume a uma suposta campanha contra o facto de as pessoas terem que ser magrérrimas? O problema mais uma vez não é a ideia da coisa, mas a materialização da coisa. É uma marcha! Sim, uma marcha de dezenas de mulheres, gordas ,magras, pretas , brancas, altas, baixas (até aqui tudo bem), todas vestindo tops sem alças, cai-cai cor de rosa a gritar, esbracejar, pinchar, saltar pelas ruas (tudo mal), movidas por uma apresentadora qualquer no terreno com um megafone a incitar à loucura do "So what!?" (tudo muito pior). Elas iam aqui, elas iam a Hollywood, elas iam ali comer cachorros ao almoço, veja-se lá, cachorros! Au au! Gordas pá!
Ainda bem que me encontrava sozinho, pois caso tivesse que falar para alguém ao meu lado não conseguiria sequer levantar o queixo do chão do vizinho de baixo.
Não pude aguentar senão pensar que aquelas galinhas sem cerebelo não teriam mais nada para fazer senão ir para aquela marcha. Podia ser uma marcha contra a precariedade, a guerra, o preço do crude, do açucar, o corte de cabelo de Francisco Lousã ,ou mesmo contra os efeitos perniciosos do aquecimento global na retrete la de casa que elas iriam, elas gritariam, elas pinchariam! Deem-lhes uma camisola igual a todas e metam-lhes alguém a gritar em histeria através de um megafone que elas vão! Multidão desgovernada.
Não terão estas pessoas maridos, namorados, amantes para fornicar, passear, conversar, em vez de andarem aos berros rua abaixo por uma coisa que não existe senão na vontade da TV de ter audiências?
Imaginam o Goucha a liderar uma manifestação contra a discriminação de homossexuais ou outra manif qualquer fabricada por um programa de TV? Ainda falamos mal do nosso país, das tardes da Júlia e da Fátima Lopes. São uns santos meus amigos, uns santos, aleluia!
Pobre de mim, feliz da gajazita que se curou.
Eu vou-me curar a estudar o CCP. Estou muito mais motivado agora depois de ver um pouco de TV.
Maldita pausa,
B.D.
Cara Dra. Manuela,
Noto um certo estigma provocado pelo estilo de estar sob os holofotes políticos por parte da senhora. E passo a explicar: A senhora não encena, a senhora não retalia, mas porquê? Diz que a senhora não alinha no espectáculo político! Certas pessoas dizem "Lá vem a tipa com a conversa da tanga e do bota abaixo". Dá errado, e vou dizer-lhe porquê. Porque parece que se está nas tintas para tudo, numa atitude de "Eu estou bem, os outros é que estão mal, não mudo!". Ora aí está que essa atitude em política pode ser complicada, especialmente se uma pessoa se alienar completamente do que se passe à volta e se esqueça por ventura que está a competir com outra pessoa! Sim, está a C-O-M-P-E-T-I-R, e com aquele animal chamado Sócrates.
Para muita gente é complicado e até aborrecido o demente exercício de falar para uma parede, ou no seu caso, pior ainda seria ter falar para o seu espelho se me permite o descaramento.
Sem espectáculo, o grosso do povo não se interessa por política, a vida dos comuns mortais resume-se a uma infindável série de fados e fardos, onde a cor só chega através da televisão e dos meios de entretenimento como jornais, comícios, etc. Eles pensam assim: "Se está a dar os Fascínios, porquê ouvir uma senhora não muito bonita a falar quando podem ver as brasas importadas dos morangos e aqueles jovens todos musculados a fazer que são actores quando na realidade são modelos ou simplesmente estafermos? Eles são horríveis, não nego, mas política é coisa também de povo, todos eles votam!!!
Certo está que alguns crentes acreditam que a senhora não alinha no espectáculo porque está num pedestal, superior a essa escória de pantomineiros (como dizem os camaradas), que é séria e inconspurcável. Até podem ter razão, mas mais uma vez, a senhora está na vida política! Recusam-se a admitir que a senhora, quiçá, não tem carisma para liderar uma oposição. Hm?
Avançando o meu raciocínio para a parte da ovelha, pretendo sob a capa da minha recém "berbe" juventude, dar uma espécie de conselho ingénuo à senhora. So it goes:
Assumindo que os seus propósitos são puros e o seu carácter benemérito é real, e que realmente deseja governar um país seriamente e com competência e afinco pela verdade, a Senhora faça espectáculo. Isso mesmo, vá a jogo! Espectáculo digo, não demais, mas o suficiente. Acuse Sócrates de se dar com terroristas, de ser manipulador e de ser mentiroso, mas também faça milhares de promessas eleitorais que sabe perfeitamente irão cair em saco roto. Seja optimista, minta com quantas rugas tem na face e com quantos dentes tem na boca, até os da placa! Contrate agencias de marketing politico, consultores de imagem, cabeleireiros, lance um audiobook, esse circo todo!
Repare, aqui entre nós que ninguém nos lê, é preciso enrola-los bem, ao povo, aos entertainees. Depois de os cativar e levar bem levados, ZÁS, governa-os em condições! Era ou não um golpe de mestre, hem? O cordeiro a revelar-se ao despir a pele de lobo! Que tal?
A conspiração do bem, o tableturn desejado, a conspiração altruísta! Depois apenas tínhamos de levar consigo a ser como dantes, mas a governar este Portugal esfrangalhado em condições tal como afirma por aí sem lutar por nós, míseros plebeus que apenas gostam de ver o circo e as caravanas passar com os cães a ladrar. Que tal?
Sempre fiel,
B.D.
Hoje estava a ver SIC Notícias e estava o Mário Crespo a falar com o José Luís Arnault e outro senhor que eu nunca tinha ouvido falar. Fiquei logo a perceber qual o seu partido quando o ouvi dizer algo como:
"A não ser alguns extremistas do mercado, toda a gente concorda que os bancos centrais devem ser nacionais pois emitem moeda. Os bancos privados emitem muito mais moeda que os bancos centrais, por isso também deveriam ser nacionalizados."
No fim descobri que este senhor se chama Octávio Teixeira e é um dos responsáveis pela política económica do PCP.

Fui então ver mais algumas posições do PCP sobre esta crise e encontrei um documento chamado "Sobre a crise do capitalismo" com passagens muito interessantes:
"– É uma mistificação afirmar-se que a crise se deve à ganância de alguns, como se a crise fosse a violação de normas éticas, ou como se a busca do máximo lucro não fosse inerente ao sistema Capitalista."
(...)
"O endividamento do País e do sistema financeiro ao estrangeiro e o endividamento das famílias a par com a fragilidade do nosso aparelho produtivo e o domínio com as privatizações de empresas básicas e estratégicas pelo estrangeiro agudizam substancialmente a exposição à crise."
(...)
"O PCP considera que esta crise põe também em evidência, a falsidade dos dogmas do neo-liberalismo, do “menos Estado”, do “Estado não intervencionista”, da “mão invisível do mercado”, do mercado “regulador”. Os grandes defensores do “tudo ao privado” e do “Estado mínimo”, são agora os maiores defensores da intervenção do Estado e da nacionalização dos prejuízos, procurando assim passar a factura da crise para o povo em geral e premiar com milhões, os que ganharam e ganham milhões com especulação.
O capitalismo revela mais uma vez a sua natureza e as suas profundas contradições, um sistema que não resolve os problemas da humanidade, antes os agrava, fomentador das desigualdades, das injustiças, da pobreza, da miséria de milhões de seres humanos.
O PCP considera que face à grave crise o governo deve desde já tomar as seguintes medidas:
No plano interno, intervir junto do sistema bancário para diminuir as taxas de juro; tomar medidas para valorizar, defender e promover a produção nacional, aliviar a tesouraria das empresas acelerando os pagamentos em dívida e de todos os fundos comunitários; aumentar os salários e repor o poder de compra dos trabalhadores; reforçar as prestações sociais designadamente, às famílias mais carenciadas; melhorar a distribuição do Rendimento Nacional.
Na União Europeia, intervir junto do BCE para a descida das taxas de juro; a suspensão do Pacto de Estabilidade; o combate às deslocalizações; o reforço dos Fundos Estruturais e outras medidas orçamentais que relancem as actividades económicas e o investimento; aumento dos salários por forma a melhorar o poder de compra e a alargar assim o mercado interno. O Governo deveria tomar a iniciativa junto da EU para acabar com os offshores.
O PCP está a favor da revisão do Sistema Monetário e Financeiro internacional e do combate aos privilégios do dólar, mas tal não pode ser feito com a valorização artificial do Euro, à custa das economias mais débeis da União, como é o caso de Portugal.
O PCP considera também que apesar dos planos Bush/Paulson, das intervenções em bancos em vários países da Europa e das injecções dos Bancos Centrais, a crise vai ainda perdurar e que as principais medidas já ensejadas visam passar os custos da crise para as populações em geral e terão como consequência uma ainda maior concentração da riqueza e centralização do capital."
Há vários pontos a apontar mas acho que os mais interessantes são as afirmações de que a intervenção no mercado com dinheiro dos contribuintes é má, ao mesmo tempo que defendem que o plano Paulson foi bom.
Também fiquei bastante impressionado com a afirmação de que o capitalismo só tem gerado fome e miséria - e os milhões de pessoas que saíram da pobreza nos últimos anos também devem estar impressionados.
Por fim fiquei sem perceber como é que se "valoriza o Euro à custa das economias mais débeis" e fiquei sem perceber como é que se acaba com este "incentivo e facilitação do endividamento" baixando as taxas de juros.
Mas, enfim, eles também não devem perceber. Devem ter escrito este texto com a ajuda do Octávio Teixeira.
É relativamente comum em discussões sobre o liberalismo, reduzi-lo a uma teoria económica, que nos diz que o mercado livre produz um desenvolvimento superior a qualquer outro modelo de mercado. Segundo esta versão, ser liberal é pura e simplesmente ter fé que o mercado livre resolverá os nossos problemas.
Quando o liberalismo é assim definido, toda a discussão se resume a um teste de validação através da história e da economia, onde mais tarde ou mais cedo se chegará à conclusão definitiva de que o liberalismo está certo ou errado.
O exemplo mais recente de aplicação em massa deste equívoco é o debate gerado em torno da actual crise financeira, a partir da qual se pretende comprovar se o liberalismo "funciona" ou não.
Esta visão é completamente absurda, nenhuma perspectiva política digna do seu nome pode ser equiparada à crença em determinada teoria económica.
Uma posição política, ao contrário de qualquer ciência, tem implícito um juízo de valor, que no caso do liberalismo significa afirmar que a liberdade é mais importante que a igualdade, a segurança, o mérito ou qualquer outro valor.
Depois de ouvir Pedro Marques Lopes, no programa Eixo do Mal, falar do relatório da ERC publicado este mês, fiquei extremamente curioso e decidi lê-lo.
O documento chama-se "Relatório Intercalar de avaliação do pluralismo político-partidário na informação diária e não diária do serviço público de televisão", e dá algumas luzes sobre uma parte do trabalho da ERC este ano, e sobre o modo como os próprios membros entendem esta entidade.
O próprio objecto do relatório é por si bastante revelador. Destina-se a verificar se existe desproporcionalidade entre o tempo de antena dos diversos partidos políticos e a sua representatividade parlamentar. Assim, segundo esta entidade, o número de notícias, de comentadores políticos e de entrevistados deve ser distribuído proporcionalmente pelas diversas forças políticas partidárias.
No fundo, entende que a televisão pública não deve ter como principais critérios a relevância da informação, o profissionalismo e a competência dos intervenientes. O objectivo da televisão pública não deve ser o de informar, mas sim o de servir de tempo de antena diário aos partidos políticos.
O início deste relatório é uma lista de juízos de valor sobre os programas dos canais públicos de televisão. Aqui não são identificadas objectivamente as situações em que o Conselho de Regulação entende que houve violação de regulamentos, é apenas insinuado que determinadas situações são "positivas" e outras "negativas", em jeito de comentário.
Em seguida são apresentadas as votações à aprovação deste relatório:
- José Alberto de Azeredo Lopes (voto favorável)
- Luís Gonçalves da Silva (voto contra)
- Maria Estrela Serrano (voto favorável)
Na declaração de voto, os dois membros favoráveis, em vez de falarem do próprio relatório, elaboraram um texto de crítica pessoal a Luís Gonçalves da Silva, incluindo insinuações e comentários irónicos, em tom de desprezo (num relatório de uma entidade pública!).
É altura então para pensar que as pessoas responsáveis por avaliar o funcionamento democrático da comunicação social aproveitam documentos públicos para diminuirem pessoalmente quem não concorda com eles. São pessoas com este carácter e com esta noção de democracia que foram nomeadas pelo parlamento para desempenhar estas funções.
Sempre actual...
Cada vez me chateia mais ler imprensa porque sinto que muita coisa é escrita por pessoas que não pensaram muito no que escreveram ou que usam estes espaços para passar as suas sentanças e não informação.
Na revista Visão de hoje, um jornalista (não identificado) escreve o seguinte ataque a Lobo Xavier (bolds meus):
"António Lobo Xavier deverá corrigir-se a si próprio na Quadratura do Círculo de hoje, dia 2, depois de, na passada semana, ter lançado a polémica. A propósito do computador Magalhães, o também administrador da Sonaecom acusou Sócrates de ter "violado as regras da contratação pública" e negou que fossem as operadoras a financiar a aquisição dos computadores para o ensino básico. Afinal, não demorou muito a ser a própria Sonaecom a confirmar o que dizia António Costa: o financiamento sai da verda (1,3 milhões de euros) que as operadoras devem ao Estado como contrapartida da obtenção de licenças de comunicações móveis. E como não existe contratualização directa com a empresa JP Sá Couto - fabricante do Magalhães - não há obrigatoriedade de concurso público. No mínimo, Lobo Xavier é um administrador distraído."
Além de ser dispensável o tom justiceiro da última frase, o jornalista acha que Lobo Xavier não tem razão porque diz que não são as operadoras a pagar os computadores. Sendo que essa era uma dívida ao Estado que estas já não pagarão parece-me que Lobo Xavier tem razão (o jornalista devia ter lido o meu post sobre o custo de oportunidade para perceber que o dinheiro que vai para os computadores é dinheiro que o Estado não investe noutros sítios).
Gosto também da análise literal que faz da acusação de Lobo Xavier sobre a escolha da empresa: como, em termos formais, aquilo não é bem um contrato, Lobo Xavier está errado.
Não sei se me estarei a tornar um velho do Restelo ou se é a imprensa que está pior, mas cada vez me chateia mais ver órgãos de comunicação social.
(Para outro artigo, na mesma revista, bastante tendencioso, ler "Áustria - Triunfo dos Oportunistas" onde se tenta provar que a "direita populista" (termo usado umas 15 vezes em meia página) chega ao poder por falta de comparência e porque engana a população. Como é óbvio, este artigo não tenta perceber o fenómeno e as causas, mas limita-se a esgrimir desculpas para este resultado.)
A Associação de cegos dos EUA planeia protestar contra filme do brasileiro Fernando Meirelles, “Ensaio sobre a cegueira”. Para o presidente da entidade, Marc Maurer, o retrato do filme é ofensivo e assustador, podendo minar os esforços de integrar os cegos na vida em comunidade.
Alega o mesmo que o filme poderá destruir o pouco que os cegos conquistaram na sua integração na sociedade, retratando-os como monstros capazes de fazer as mais loucas atrocidades e que não sabem cuidar de si próprios.
Não sendo sociólogo nem algo parecido, estes argumentos afiguram-se-me como que um pouco desproporcionados. Esta reacção ao filme parece-me um tanto efusiva e empolada pelo facto de os cegos serem uma minoria, e como tal, sentirem a discriminação social no dia-a-dia.
Primeiro, note-se que nesta "bela" história a cegueira é colectiva, epidémica e imprevisível, e por isso toma proporções verdadeiramente catastróficas. O é pânico gerado nas multidões que inesperadamente se "vêem" desamparadas e desorientadas. Assim o ser humano desce a uma condição extrema, assim como desceria caso não houvesse comida para ninguém. Uma grande mudança colectiva para pior traz inevitavelmente o caos e a revelação dos mais animalescos instintos nos seres humanos. Aliás, para isso nem é preciso tanto.
Segundo, há que "ver" que o filme representa uma alegoria, ou metáfora social, e grande parte do publico que irá ver o mesmo sabe disso. Não se está portanto perante uma historia do género de "Os pássaros" de Hitchcock em versão, "Os Cegos" em que os cegos atacam os restantes humanos.
Terceiro. Não irá o filme despertar as consciências da sociedade para com os invisiuais?Ou seja, ter o efeito reverso, colocando as pessoas a pensar "Ser cego não deve mesmo ser fácil." Parece-me mais lógico do que "Nunca imaginei que os cegos fossem capazes de tais coisas más!"
Conceptualmente é o que penso. No entanto, quando visualizar o filme estarei, creio, em melhores condições para uma reflexão mais profunda, pois não só de lógica funciona a sociedade.
Se me permitem o descaramento, espero sinceramente não passar a olhar para um cego com medo que ele me queira fazer mal.